Sana Slow Wine Fair: a feira sustentável em Bolonha

Sana Slow Wine Fair, a feira internacional dedicada ao vinho bom, limpo e justo, organizada pela BolognaFiere, com direção artística da Slow Food, em colaboração com a Società Excellence e a participação da FederBio, programada para ocorrer em Bolonha de 26 de fevereiro a 1º de março de 2022.


Raffaele Lopardo
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Slow Wine Fire

Sana Slow Wine Fair, o evento internacional dedicado ao vinho bom, limpo e justo, organizado pela BolognaFiere, com direção artística de Slow Food, em colaboração com Società Excellence e com a participação de FederBio está programado para acontecer em Bolonha de 26 de fevereiro a 1º de março de 2022.

Haverá produtores de todas as regiões da Itália (e não é modo de dizer: realmente estão todas as regiões e províncias autônomas!) e centenas de realidades estrangeiras. Já confirmaram presença adegas da Albânia, Argentina, Armênia, Áustria, Bósnia, Brasil, Bulgária, Chile, Croácia, França, Alemanha, Macedônia, Montenegro, Holanda, Peru, Portugal, Reino Unido, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos e África do Sul.

Uma volta ao mundo regada a grandes vinhos. Mas não vinhos quaisquer, e sim etiquetas (o catálogo já conta com mais de 3700, aqui listamos todas, e o número chegará a 5000) que respeitam três princípios claros, os mesmos que guiam a Slow Wine Coalition e que estão escritos no Manifesto Slow Food por um vinho bom, limpo e justo: tratam-se da sustentabilidade ambiental, da proteção da paisagem e do papel cultural e social que as empresas vinícolas podem desempenhar nos territórios onde atuam.

Estes três valores representam as diretrizes usadas na seleção das adegas presentes na feira de Bolonha. Quem participar da quatro dias na Emília verá com seus próprios olhos o que queremos dizer, mas enquanto isso acreditamos que seja útil ler isso pelas palavras dos produtores.

Três valores para as diretrizes

Sustentabilidade ambiental

Respeitar o meio ambiente significa, entre outras coisas, dizer não à química na agricultura: nada de herbicidas, em outras palavras. Paraschos é uma adega localizada entre San Floriano del Collio e Olsavia (Gorizia), na Friuli-Veneza Giúlia. Hoje, a empresa é conduzida por Alexis e Jannis, filhos do fundador Evangelos, que saiu da grega Salônica para estudar na universidade de Trieste. «Papai começou a se interessar por vinho porque se encantou com os agricultores e viticultores do Collio que, nas décadas de 70 e 80, trabalhavam a terra com respeito, e jamais pensariam em introduzir herbicidas na vinha» nos contou Alexis. «Foram eles que lhe transmitiram esse amor pela terra que faz desejar passá-la para os filhos e não simplesmente explorá-la. Para nós, primeiro veio a agricultura biológica, sustentável, ecológica que seja chamada, depois veio o vinho».

Sustentabilidade ambiental significa, porém, também e sobretudo biodiversidade: é da riqueza das variedades vegetais que o solo se nutre, enriquecendo-se e depois devolvendo tais qualidades aos frutos. É assim também na Agricola Felline, empresa de Manduria (Taranto) que cultiva Primitivo… e não só: «Tentamos deixar crescer a vegetação espontânea que frequentemente surge em nossos muros de pedra seca» explicou o proprietário Gregory Perucci. «Dessa forma, os vinhedos tornam-se um habitat vivo para uma flora e fauna diversificadas: frutas, flores, ervas e verduras prosperam em solos vivos… No vinhedo também vivem borboletas, pássaros, insetos, répteis e inúmeros organismos do solo. Essa interação assegura um ecossistema estável, amplamente autorregulado, que acreditamos trazer um genuíno equilíbrio e qualidade ao terroir».

Usar energia limpa e reduzir desperdícios é outro dos aspectos a ser considerado na avaliação ambiental de uma realidade, como nos lembrou Lorenzo Marotti Campi, filho dos fundadores da homônima adega de Morro d’Alba, na província de Ancona: «Nossa adega possui um sistema solar que nos permite alcançar quase total independência energética».

O impacto social: ser justo

Outro aspecto relevante diz respeito à sustentabilidade humana da empresa: «Pagamos salários acima da média, porque precisamos estabelecer relações de longo prazo e confiança com as pessoas com quem trabalhamos» acrescentou Lorenzo Marotti Campi.

Respeitam este princípio também Jill e Steve Matthiasson, da homônima adega Matthiasson em Napa, Califórnia: «Não contratamos trabalhadores temporários – explicou Steve -, todos os nossos 17 empregados têm empregos estáveis e duradouros. Projetamos deliberadamente nosso negócio desta forma, e ajuda o fato de termos diferentes vinhedos com diferentes variedades de uva que amadurecem em tempos diversos». E mesmo quando imprevistos alteram a rotina, o casal de empreendedores encontrou um modo de superar o momento: «Cerca de dois terços de nossas vendas dependem dos restaurantes e assim, quando a pandemia de Covid-19 explodiu e os restaurantes fecharam, nossas vendas pararam. Nos orientamos o mais rápido possível para as degustações guiadas pelo Zoom, e felizmente nossas iniciativas nesta área foram rapidamente retomadas e resenhadas por revistas nacionais. Isso salvou nossa atividade».

A proteção da paisagem

O terceiro princípio que guia a Slow Wine Coalition, e consequentemente a Sana Slow Wine Fair que representa seu primeiro encontro internacional, diz respeito à defesa da beleza da paisagem. A videira é a cultura que mais que qualquer outra contribui a definir o aspecto das áreas colinosas e precollinosas e por essa razão é indispensável que os viticultores cuidem dela. «Nosso pai trabalhou muitos anos como engenheiro agrônomo, nos transmitiu a paixão e a dedicação pela vinha, e graças a ele e nossos avós crescemos em contato com a natureza» contou Maria Rosa Bordini, que junto à irmã Enrica e aos irmãos Enrico e Giampaolo herdaram a empresa Villa Papiano de Modigliano (Forlì-Cesena), fundada pelo pai Remigio. «Sonhamos por anos construir um projeto de vida juntos centrado na natureza e na vinha. Em 2000 encontramos este lugar perfeito, com um ecossistema capaz de transmitir essa unicidade também no vinho que produzimos». Um paraíso terrestre encaixado no Apenino toscano-romanholo, um tesouro para conservar e proteger mesmo tornando-o produtivo. Desde que seja uma produção respeitosa.

No site do evento, toda semana, são publicadas novas histórias de produtores que participarão da Sana Slow Wine Fair 2022: por exemplo a de Marco Minnucci, que saiu do Lago Maggiore para Costigliole d’Asti, ou ainda as de produtores estrangeiros. É o caso da Slow Wine Latam, a rede para vinho bom, limpo e justo que reúne viticultores da América Latina, e dos produtores que fazem parte do Presídio Slow Food do Roter Veltliner, na Áustria.

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