Mexilhão negro de Taranto, por que é tão saboroso

Mais de vinte maricultores da cidade da Puglia aderem ao projeto que prevê o cultivo do mexilhão preto de Taranto segundo um regulamento que garante não apenas a rastreabilidade e a qualidade do produto, mas também o respeito pelo ecossistema marinho em uma área há tempos no centro do debate ambiental.


Raffaele Lopardo
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Allevamento della cozza nera di Taranto - Foto di Marco Amatimaggio

A ameixa preta de Taranto é um novo Presídio Slow Food e é também muito mais: antes de tudo, um reconhecimento que desafia os preconceitos que há anos, por razões principalmente ambientais, afligem a cidade pugliese, e também um símbolo de renascimento de uma comunidade que tem na miticultura as origens da sua história.

O Mar Pequeno, reino da ameixa de Taranto

Se Taranto rima com criação de moluscos, o mérito é das condições ambientais únicas: «Falamos do Mar Pequeno, um espelho de água interior que é um ecossistema muito especial, caracterizado pela presença de 34 nascentes subterrâneas de água doce provenientes das Murge que nele desaguam – explica Luciano Carriero, representante dos produtores do Presídio –. É justamente ao abastecimento constante de água doce que se deve a extraordinária doçura das ameixas pretas de Taranto: essas fontes, de fato, além de assegurar uma perfeita termorregulação garantem o controle da salinidade da água».

Mas os benefícios são recíprocos: se as ameixas encontraram aí o habitat ideal para se desenvolver, elas mesmas funcionam como “filtro” da água: «Se hoje desaparecessem as ameixas do Mar Pequeno, o ecossistema mudaria radicalmente – explica Marco Dadamo, diretor da reserva natural regional Palude Vela de Taranto e membro do Conselho Consultivo do Slow Fish, que colaborou no desenvolvimento do Presídio –. São um elemento importante, que contribui para manter alta a resiliência do ambiente garantindo serviços ecossistêmicos importantes, tais como a reciclagem dos nutrientes em excesso presentes na coluna de água».

É por isso que, para Carriero, o reconhecimento como Presídio Slow Food é «a oportunidade para o relançamento de um setor que viveu uma época de crise por razões injustas. Trabalhamos em águas rigorosamente controladas – continua –, mas infelizmente Taranto só é lembrada pela poluição ambiental. Essa imagem nos prejudicou, apesar de trabalharmos em um oásis natural extraordinário».

La cozza nera di Taranto, Presidio Slow Food - Foto di Marco Amatimaggio
Ameixa preta de Taranto, Presídio Slow Food – Foto de Marco Amatimaggio

A miticultura em Taranto remonta ao século XVI

Em Taranto a miticultura é uma questão muito séria e muito antiga: os primeiros documentos que fazem referência às ameixas pretas datam de 1525, e já no século XVI os governantes tarantinos escreviam regras precisas para evitar o sobreexplotamento das lagoas costeiras. E por séculos assim foi, pelo menos até as últimas décadas do século passado, quando, em concomitância com o desenvolvimento industrial da cidade, a criação de moluscos também sofreu os efeitos do progresso tecnológico. Emblemático, desse ponto de vista, o discurso sobre os materiais: com o desenvolvimento do plástico, por muito tempo os criadores abandonaram as redes produzidas com material natural preferindo as sintéticas, facilmente encontradas e de baixo custo.

Mas, dessa forma, esses mesmos materiais representaram uma ameaça para o ecossistema marinho: «Anos atrás, antes de começar a descontaminação do Mar Pequeno, no fundo acumulou-se uma camada de redes plásticas, em alguns pontos até com alguns centímetros de espessura» lembra Marcello Longo, presidente da Slow Food Puglia, que trabalhou para o início do Presídio por mais de quatro anos. «Graças à colaboração com parceiros científicos, como o CNR, e técnicos, como a Novamont, os produtores que aderem ao Presídio retomaram o uso de materiais ecossustentáveis, produzidos em mater-bi e portanto compostáveis». O objetivo, além de evitar o risco de marine littering, isto é, o descarte de resíduos na água, é iniciar um percurso de economia circular para que as redes, uma vez esgotada a sua função, se tornem composto útil para as áreas verdes e agrícolas do tarantino.

Cozza nera di Taranto
Ameixa preta de Taranto

Os números do Presídio Slow Food de Taranto

Os miticultores envolvidos no projeto, cujo regulamento estabelece rigidamente as modalidades de produção, são atualmente 21, principalmente filhos e netos de criadores que exerceram essa profissão por anos. Os pedidos de adesão continuam aumentando: sinal da vontade de deixar para trás a imagem que por muitos anos acompanhou Taranto, retomando aquela vocação histórica ligada ao mar e às suas excelências. «Neste Presídio há muita justiça social – continua Longo – e graças a este projeto damos dignidade aos criadores: os miticultores, por sua vez, estão felizes porque junto com a Slow Food sabem que podem trabalhar melhor».

Entre os produtores que aderem ao Presídio está também Francesco Marangione. «Sou miticultor por amor – conta –: amor pelo mar, pelos amanheceres e pores-do-sol, pela liberdade. Quando o mar entra em suas veias, é difícil que depois saia: comigo aconteceu quando eu era menino e comecei a ajudar meu pai. Slow Food? É uma fagulha de luz e esperança».

«Este é um Presídio especial, que vai muito além do produto – conclui Serena Milano, diretora da Slow Food Itália –. É uma aposta no futuro desta cidade. Junto dos miticultores, Taranto olha para seu recurso mais importante, o mar, e reúne respeito pelo ambiente e respeito pelo trabalho, pela cultura e pelo conhecimento de muitas gerações. Um desafio importante que, se for vencido aqui, em um contexto tão complexo, pode tornar-se um exemplo e símbolo para muitas outras áreas da Itália».

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