A ameixa preta de Taranto é um novo Presídio Slow Food e é também muito mais: antes de tudo, um reconhecimento que desafia os preconceitos que há anos, por razões principalmente ambientais, afligem a cidade pugliese, e também um símbolo de renascimento de uma comunidade que tem na miticultura as origens da sua história.
O Mar Pequeno, reino da ameixa de Taranto
Se Taranto rima com criação de moluscos, o mérito é das condições ambientais únicas: «Falamos do Mar Pequeno, um espelho de água interior que é um ecossistema muito especial, caracterizado pela presença de 34 nascentes subterrâneas de água doce provenientes das Murge que nele desaguam – explica Luciano Carriero, representante dos produtores do Presídio –. É justamente ao abastecimento constante de água doce que se deve a extraordinária doçura das ameixas pretas de Taranto: essas fontes, de fato, além de assegurar uma perfeita termorregulação garantem o controle da salinidade da água».
Mas os benefícios são recíprocos: se as ameixas encontraram aí o habitat ideal para se desenvolver, elas mesmas funcionam como “filtro” da água: «Se hoje desaparecessem as ameixas do Mar Pequeno, o ecossistema mudaria radicalmente – explica Marco Dadamo, diretor da reserva natural regional Palude Vela de Taranto e membro do Conselho Consultivo do Slow Fish, que colaborou no desenvolvimento do Presídio –. São um elemento importante, que contribui para manter alta a resiliência do ambiente garantindo serviços ecossistêmicos importantes, tais como a reciclagem dos nutrientes em excesso presentes na coluna de água».
É por isso que, para Carriero, o reconhecimento como Presídio Slow Food é «a oportunidade para o relançamento de um setor que viveu uma época de crise por razões injustas. Trabalhamos em águas rigorosamente controladas – continua –, mas infelizmente Taranto só é lembrada pela poluição ambiental. Essa imagem nos prejudicou, apesar de trabalharmos em um oásis natural extraordinário».

A miticultura em Taranto remonta ao século XVI
Em Taranto a miticultura é uma questão muito séria e muito antiga: os primeiros documentos que fazem referência às ameixas pretas datam de 1525, e já no século XVI os governantes tarantinos escreviam regras precisas para evitar o sobreexplotamento das lagoas costeiras. E por séculos assim foi, pelo menos até as últimas décadas do século passado, quando, em concomitância com o desenvolvimento industrial da cidade, a criação de moluscos também sofreu os efeitos do progresso tecnológico. Emblemático, desse ponto de vista, o discurso sobre os materiais: com o desenvolvimento do plástico, por muito tempo os criadores abandonaram as redes produzidas com material natural preferindo as sintéticas, facilmente encontradas e de baixo custo.
Mas, dessa forma, esses mesmos materiais representaram uma ameaça para o ecossistema marinho: «Anos atrás, antes de começar a descontaminação do Mar Pequeno, no fundo acumulou-se uma camada de redes plásticas, em alguns pontos até com alguns centímetros de espessura» lembra Marcello Longo, presidente da Slow Food Puglia, que trabalhou para o início do Presídio por mais de quatro anos. «Graças à colaboração com parceiros científicos, como o CNR, e técnicos, como a Novamont, os produtores que aderem ao Presídio retomaram o uso de materiais ecossustentáveis, produzidos em mater-bi e portanto compostáveis». O objetivo, além de evitar o risco de marine littering, isto é, o descarte de resíduos na água, é iniciar um percurso de economia circular para que as redes, uma vez esgotada a sua função, se tornem composto útil para as áreas verdes e agrícolas do tarantino.

Os números do Presídio Slow Food de Taranto
Os miticultores envolvidos no projeto, cujo regulamento estabelece rigidamente as modalidades de produção, são atualmente 21, principalmente filhos e netos de criadores que exerceram essa profissão por anos. Os pedidos de adesão continuam aumentando: sinal da vontade de deixar para trás a imagem que por muitos anos acompanhou Taranto, retomando aquela vocação histórica ligada ao mar e às suas excelências. «Neste Presídio há muita justiça social – continua Longo – e graças a este projeto damos dignidade aos criadores: os miticultores, por sua vez, estão felizes porque junto com a Slow Food sabem que podem trabalhar melhor».
Entre os produtores que aderem ao Presídio está também Francesco Marangione. «Sou miticultor por amor – conta –: amor pelo mar, pelos amanheceres e pores-do-sol, pela liberdade. Quando o mar entra em suas veias, é difícil que depois saia: comigo aconteceu quando eu era menino e comecei a ajudar meu pai. Slow Food? É uma fagulha de luz e esperança».
«Este é um Presídio especial, que vai muito além do produto – conclui Serena Milano, diretora da Slow Food Itália –. É uma aposta no futuro desta cidade. Junto dos miticultores, Taranto olha para seu recurso mais importante, o mar, e reúne respeito pelo ambiente e respeito pelo trabalho, pela cultura e pelo conhecimento de muitas gerações. Um desafio importante que, se for vencido aqui, em um contexto tão complexo, pode tornar-se um exemplo e símbolo para muitas outras áreas da Itália».
